domingo, 22 de novembro de 2009

A MÚSICA NA LITURGIA (6)

A MÚSICA NA LITURGIA (6)

(Práticas diversas)
O que ficou escrito nos artigos anteriores é, em resumo, o pensamento da Igreja universal. Os Protestantes, pelo menos no passado, já nos deram exemplo no que se refere à leitura da Bíblia. Continuam a dar no que se refere à Música Litúrgica: usam um livro de cânticos, com a música escrita, nas celebrações. Dá gosto ouvir as suas assembleias a cantar em uníssono.
Também na vizinha Espanha, nomeadamente na Galiza, há o chamado “Cantoral Litúrgico Nacional” apresentado em Orense por D. Ramiro Gonzalez. Na apresentação teceu algumas considerações dignas de reflexão: “as qualidades destes cânticos deve ser julgada pelos competentes; só pode fazer um julgamento quem conhecer as normas da celebração Litúrgica, da Música e do canto Litúrgico e tenha o sentido do ministério; a Sagrada Escritura e a Liturgia são as principais fontes do canto para as celebrações; compositores, instrumentistas e directores artísticos devem conhecer os critérios objectivos e claros que regem a música e o canto na Liturgia; concretamente, na Galiza, há um repertório de coisas boas e menos boas; é preciso insistir na qualidade e inspiração religiosa”.
Nestes apontamentos de D. Ramiro está um resumo perfeito de como deve ser o canto nas celebrações. Resumo idêntico, ainda que mais disperso, está no documento “Música e Liturgia”, de D. Jorge Ortiga, produzido em 2001.
Só quem quer estar com um pé dentro e outro fora da Igreja é que não conhece ou não quer cumprir as normas da Música Litúrgica. Umas vezes será por ignorãncia, imperdoável nos Pastores; outras por teimosia e com a falsa ideia de modernidade e juventude. Aliás, é um disparate aliar a “juventude” à idade de uma pessoa. Pela idade, os mais velhos já por lá passaram; pela juventude de espírito e dinamismo, os mais novos poderão vir a passar.
Um outro exemplo, que não podemos deixar de exaltar, é o que acontece no Arciprestado de Melgaço. Os directores de coros e, com certeza, muitos coralistas e párocos, reunem-se antes de cada “tempo forte” do ano Litúrgico e fazem uma selecção de cânticos adequados às celebrações desse tempo. Ensaiam, então, os cãnticos escolhidos, explicam o sentido dos textos dos mesmos e executam-nos com adequada epressão. A prioridade vai para a primeira voz, como principal. As restantes ficam ao critério e capacidade do director artístico de cada paróquia. O resultado, segundo consta, é magnífico. Entendemos que é um exemplo a seguir em todos os arciprestados.
A escolha dos cânticos adequados a cada domingo deve merecer a atenção dos directores e seus colaboradores. O ideal será fazer a leitura dos textos de cada celebração e, pelo sentido dos mesmos e perante o repertório musical já conhecido, fazer a escolha dos mais adequados. É uma tarefa importante que exige tempo, gosto e paciência.
Temos, em Braga, a Celebração Litúrgica que, para além dos textos de cada domingo, de ideias para as homilias e outros documentos, traz uma sugestão de cânticos para cada momento da celebração. É pena que, pelo menos a sugestão de cânticos, não seja colocada num sítio da internete. A página oficial de Fátima bem como o sítio “MELOTECA” apresentam sugestões. Acontece, porém, que boa parte dos cânticos não são conhecidos no Norte.
(Continua)
acostagomes@gmail.com

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