domingo, 22 de novembro de 2009

A MÚSICA NA LITURGIA (1)

A MÚSICA NA LITURGIA (1)

A partir da Encíclica “Musicae Sacrae Disciplina” de Pio XII, do documento conciliar “ Musicam Sacram” de 1967 e do documento “Música e Liturgia” de D. Jorge Ortiga de 2001, pretendemos recordar os critérios e normas das exigências qualitativas da Música nos actos Litúrgicos. Há bastante tempo que o assunto não é abordado e, como é natural, vão-se esquecendo as boas práticas e introduzindo novidades de qualidade duvidosa.

O “fato de louvar a Deus”
Ainda há muitas pessoas que se lembram deste dito e do porquê do mesmo. O melhor fato (se não o único, para muita gente) estava reservado para o domingo, para ir à Missa. Para Deus reservava-se o que havia de melhor recordando as “primícias das colheitas” que eram oferecidas no Templo. O chamado “fato de louvar a Deus” ou “fato domingueiro” só se vestia para ir à Igreja ficando, durante a semana, guardado até ao domingo seguinte.
Sejamos, então, coerentes. Se tanto empenho se colocava no “louvar a Deus” no aspecto exterior da pessoa, quanto melhor não deveria ser a predisposição interior na preparação da acção Litúrgica, do autêntico e agradável louvor a Deus? Se assim não for, a imprecação de Jesus contra os fariseus terá adequada aplicação a nós mesmos e ao nosso procedimento: “hipócritas, sepulcros branqueados….” Há uma mentalidade, em muitas cabecinhas, de que para Nosso Senhor “qualquer coisinha” serve desde que seja piedosa.
Vamos tentar, por isso, preparar da melhor maneira a festa dominical. Sem exibicionismos balofos e sem artificialismos desnecessários; sem prelecções e aditamentos que prolongam o acto Litúrgico e sem pressas que transformem a assembleia em grafonolas no máximo de rotações; com alegria exterior mas, também, com muita interioridade; de pé e cabeça erguida mas, também, batendo no peito e reconhecendo que somos fracos e pecadores; reconhecendo que somos ignorantes e humildes, sempre à procura da Verdade; que somos imperfeitos mas sempre à espera do sopro Divino para fazermos, em tudo, o melhor possível.
Deste modo poderemos desempenhar com um mínimo de dignidade, que pedimos no acto penitencial, as funções Litúrgicas que nos são pedidas e estão ao nosso alcance, prestando um serviço de qualidade à assembleia orante.
Vamos falar somente da Música ao serviço da Liturgia. Fá-lo-emos baseado nos documentos acima referidos, tentando colocar a Música a enobrecer o texto; a voz a exprimir os sentimentos que louvam o Criador; o Grupo Coral a incentivar a assembleia a participar, a meditar e a contemplar; os instrumentos musicais, tocados com gosto e arte, a dar ênfase às vozes num majestoso hino de louvor; o compositor que, como uma “corda tensa”, vibra inspirado pelo texto sagrado e, no silêncio, tece a harmonia dos sons que dulcificam o ouvido e enternecem o coração; finalmente, algumas dicas, fruto de uma já longa experiência ao serviço da Música Litúrgica.
Com humildade, espero ser útil aos leitores que “comem do mesmo pão” semanalmente.
(Continua)

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