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domingo, 22 de novembro de 2009

A MÚSICA NA LITURGIA (4)

A MÚSICA NA LITURGIA (4)
(Os instrumentos)

O Instrumento musical mais importante é a voz humana. Há que cuidar dela e potenciar as suas capacidades. É um dom maravilhoso. Todavia, desde os tempos mais remotos o homem, com o seu espírito criativo, procurou outras formas de fazer ritmo e melodia. E os instrumentos foram surgindo.
O órgão de tubos, também chamado de “rei dos instrumentos” é, desde há muitos séculos, o instrumento eleito para tocar nos templos sagrados ora a solo ora como “sustento” das vozes.
Como se trata de um instrumento caro e de difíci manutenção recorreu-se, durante quase 150 anos, ao harmónio, mais acessível e mais pequeno. Surgiu no início do séc. XIX e, em muitas igrejas e capelas, ainda se encontram. Tem sonoridades variadas, com muita qualidade em muitos modelos e são constituidos por jogos de palhetas que vibram com a passagem do ar. A partir da segunda metade do séc.XX começaram a surgir os órgãos eléctricos e, mais tarde, electrónicos atingindo uma qualidade muito idêntica aos órgãos de tubos. Também há modelos francamente maus para entrar numa celebração religiosa.
Quer o órgão de tubos, quer o harmónio ou o órgão electrónico exigem conhecimentos razoáveis, no que se refere à registação, para serem usados com qualidade e dignidade. Para acompanhar um coro não se usam os mesmos registos se, porventura, a assembleia também canta. Quando se acompanha um solista, por exemplo no Salmo responsorial, deve-se escolher uma registação mais suave que se altera quando se executa o refrão. Há certos registos, mesmo nos órgãos destinados ao culto nas Igrejas, que nunca se devem utilizar, tais como: o trémulo ou o “reverb”. Dão a sensação de que estamos num “cabaret”.
Em resumo: para se dominar um órgão é preciso estudá-lo, fazer registações prévias se possível, evitar os registos estridentes e ter bom gosto.
E os restantes instrumentos são indignos de entrar na Igreja e nas celebrações Litúrgicas?
Os instrumentos mais adequados e aconselhados são os que indicamos no início. Mas a Igreja não exclui, peremptoriamente, nenhum insrumento. Faz, no entanto, uma recomendação muito séria que é para todos os instrumentos, a saber: que não sejam demasiado ruidosos, que sejam tocados com arte e que contribuam para a edificação dos fiéis.
Será fácil tocar uma viola com arte? Acham que “rasgar” uns acordes já é saber tocar? Reparem no modo como tocam os que frequentam escolas a sério…. Esses que apareçam e a sua arte contribuirá para a “edificação” dos fiéis. É o bom gosto, o conhecimento musical e a dignidade do acto Litúrgico que deve prevalecer pois estamos na presença do Deus Altíssimo.
Poderíamos, neste momento, fazer uma reflexão:
* Será o bom gosto, na escolha dos cânticos e no modo como são executados, que mais se verifica nas nossas celebrações?
* O que se ouve cantar e tocar na Igreja estimula-nos e aproxima-nos de Jesus Cristo?
* Acham que , em muitas Igrejas, os coros são orientados por pessoas competentes e com sensibilidade musical e religiosa? Ou satisfazem-se com a afirmação: foi bonito….
* Se somos nós, povo Cristão, as “pedras vivas” do Templo de Deus porque é que se investe mais nas paredes e no adro da Igreja do que nas “pedras vivas” que a animam?
* Olhando à nossa volta, pelo que vemos, ouvimos e lemos, que comunidade Cristã é que eu escolheria como aquela que me aproxima mais do Deus Altíssimo?
São perguntas pertinentes que não podem deixar ninguém indiferente. Se estas questões não interessam é porque estamos no rol daqueles que “não são quentes nem frios” como disse Jesus.
Temos bons órgãos e bons organistas. Temos bons órgãos e maus organistas. Temos bons órgãos mas sem organistas. Temos comunidades unidas e sempre prontas a colaborar em projectos comuns. Temos comunidades constituidas por pequenos grupos em que cada um trabalha à sua maneira, incapazes de se agregar num projecto comum. Temos comunidades divididas em pequeninas capelas, cada uma com o seu intocável orgãozinho, onde os grupos primam pela mútua maledicência e inveja.
A Igreja, pequena ou grande comunidade local, tem de ser dinamizada pelo Pastor que será o elo de ligação entre todos os movimentos, inclusive o grupo ou grupos corais. O pior que pode acontecer a uma comunidade Cristã é cair na tentação das “capelinhas”.
(Continua)
acostagomes@gmail.com

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