domingo, 4 de abril de 2010

A MÚSICA SACRA


A MÚSICA SACRA

A Música, enquanto parte integrante da própria liturgia, é uma das mais belas e elevadas formas de manifestação da nossa alegria pascal. Exprime, não só, louvor, acção de graças, exultação e júbilo mas também súplica, lamento, tragédia, arrependimento e profissão de fé.
Todos estes sentimentos ocorrem durante o acto litúrgico. A arte de os bem celebrar deve ser a grande preocupação, não só dos pastores mas também de todos os seus colaboradores.
Desde o início do Cristianismo não só foram seguidos os modelos de canto das sinagogas como incorporadas outras formas de cantar dos povos que se foram convertendo.
O repertório criado ao longo de vários séculos conduziu à grande polifonia sacra da renascença que continua, nos nossos dias, a ser recomendada como modelo de inspiração para o tempo actual.
É nosso dever manter vivo o tesouro musical herdado e enriquecê-lo com novas obras. Mas esta tarefa tem o profundo alcance de tocar a intimidade das pessoas que se dirigem a Deus. Daí a exigência de qualidade artística, a mesma do passado, porque só a qualidade atinge o íntimo da pessoa.
Isto implica que se evitem os extremos da mera repetição do que já existe ou da experimentação do que é fácil, banal e sem critério. A Igreja sempre procurou celebrar o Mistério Pascal com os elementos artísticos e culturais mais nobres de cada época da História considerando a ARTE como um meio privilegiado de contactar com as realidades divinas.

Adequada preparação dos intervenientes:
Preparação técnica e litúrgico-pastoral para uma correcta escolha de textos e melodias.
Qualidade artística: a música litúrgica tem como exigência fundamental a santidade e a beleza para que possam alimentar a oração e exprimir o Mistério de Cristo. As soluções fáceis estão em contradição com as exigências do Evangelho de Jesus Cristo. As soluções fáceis e exteriormente agradável são propostas da sociedade de consumo em que vivemos. Os caminhos de Deus não se anunciam ou promovem com facilitismos que despertam simplesmente as emoções passageiras ao sabor das modas, superficiais e sem qualquer qualidade artística.

GÉNEROS DE MÚSICA: Litúrgica e não litúrgica
Só os especialistas, seriamente preparados, quer em música quer em liturgia, é que serão capazes de fazer esta destrinça.
Sobretudo, após a segunda metade do séc. XX, determinados géneros de música conotados com ambientes de diversão, foram introduzidos nas celebrações. Isto só foi possível devido à falta de formação litúrgica e musical, agravada pela falta de formação religiosa e humana.
Exige-se, da parte dos compositores e directores artísticos, a suficiente humildade para se auto-examinar se são ou não especialistas preparados em música e liturgia. São indispensáveis a um compositor e director de música litúrgica a preparação técnica musical, a preparação em liturgia e nos ritos que a acompanham, a formação religiosa e a piedade cristã e, não menos importante, a humildade suficiente para sujeitar as suas composições a uma comissão dependente do Bispo a fim de serem ou não aprovadas para os actos oficiais da liturgia Divina.

INSTRUMENTOS MUSICAIS
O instrumento musical aceite como o “mais digno” é o órgão de tubos. Há, porém, outros instrumentos (electrónicos) com uma sonoridade muito próxima do órgão de tubos considerados dignos de o substituir. Muitos outros instrumentos podem ser usados na liturgia desde que não sejam demasiado ruidosos, sejam tocados com arte e contribuam para a edificação dos fiéis. Há outros instrumentos que, pelo facto de serem utilizados com frequência em contexto de divertimento profano, não devem ser introduzidos na liturgia. Contudo, o que deve prevalecer neste domínio, é o bom gosto, o conhecimento musical e a edificação do acto litúrgico lembrando, sempre, que estamos na presença do Deus Altíssimo.


CELEBRAÇÕES COM JOVENS
Há um atendência generalizada de, nas chamadas “eucaristias para jovens”, executarem cânticos (ou canções) muito próprias da sua jovialidade mas com pouco sentido litúrgico. Acontece, ainda, que não sendo toda a assembleia constituida por jovens, este como que “impõem” um determinado estilo que nada diz aos mais velhos. São, neste caso, os jovens os "usurpadores" do direito a participar, pelo canto, nos actos litúrgicos.
É necessário caminhar para o meio termo e recordar os princípios básicos: competência musical e competência litúrgica. Ao pastor ou alguém da sua confiança compete supervisionar, elucidar, formar e informar. Tem tanta obrigação de o fazer como um professor tem obrigação de cumprir o programa da sua área disciplinar.
É um hábito muito mau – e isto acontece quando os cãnticos são para as crianças – fazer adaptações de textos para melodias de outras proveniências, muitas vezes completamente profanas ou lúdicas. Por onde se dividirá o pensamento das crianças: pelo texto, supostamnte de cariz religioso ou pela melodia de carácter lúdico e profano?


ENCÍCLICA “MUSICAE SACRAE DISCIPLINA” de Pio XII (Resumo e actualidade)
A importância da Música no louvor a Deus
* Já no A.T. “todo o Israel dançava diante de Deus com instrumentos de madeira trabalhada: cítaras, liras, tímpanos, sistros e címbalos”.
* David fixou as regras da música no culto sagrado.
* As primitivas comunidades, mesmo antes de surgir o dia, cantavam um hino a Cristo.
* Tertuliano diz que, nas assembleias dos cristãos “se lêem as Escrituras, cantam salmos e promove-se a catequese”
* Após a liberdade concedida à Igreja surgiram novos hinos, novos cânticos consoante a cultura dos povos que se convertiam ao cristianismo.
* Após o séc. IX/X, com o surgimento de novos hinos e novas formas de cantar, a música litúrgica haveria de atingir o seu esplendor nos séc. XV/XVI com o apogeu da polifonia e dos conjuntos vocais acompanhados com o órgão de tubos.
* Como em todos os tempos, os abusos foram surgindo e houve necessidade da intervenção da autoridade eclesiástica no sentido de expurgar da música sacra tudo o que não contribuia para a sua verdadeira finalidade.
* A liberdade do artista (compositor ou director) deve sujeitar-se à finalidade última da sua criação: o culto divino. Assim, qualquer arte religiosa, exige artistas inspirados pela fé e pelo amor. A finalidade principal é a de elevar piedosamente a sua mente para Deus.

Em resumo:
A finalidade da música sacra deve:
*Trazer decoro e ornamento às vozes do sacerdote e do povo cristão que louva o Deus Altíssimo;
*Elevar os corações dos fiéis a Deus tornando vivas e fervorosas as orações litúrgicas e, assim, louvá-lo e invocá-lo com mais intimidade e eficácia;
* Devem, portanto, os cânticos serem executados com voz límpida e adequada expressão, o que implica e subentende uma adequada formação de quem compõe e de quem dirige.

Santo Agostinho diz que as nossas almas se elevam na piedade e na devoção de uma forma mais perfeita quanto as santas palavras são cantadas e os nossos sentimentos encontram no canto uma relação íntima que nos aproxima de Deus.

COMO ENSAIAR UM GRUPO CORAL…
• Se a obra é a uma só voz deverá proceder-se da seguinte forma:
• 1- Entoar toda a obra (para ficar com uma ideia do todo;
• 2- Ensaiar uma frase de cada vez. Ouvem bem o ensaiador e depois repetem várias vezes.
• 3- Vai juntando mais frases e o coral vai repetindo.
• 4- Entoar toda a obra e corrigir os possíveis erros.
• 5- Aplicar a dinâmica, colocar bem as vozes (perceptibilidade), controle do volume (sem vozes salientes), homogeneidade.

Se a obra é a várias vozes:
* O processo será o mesmo. Todavia, para não saturar o ensaiador (a menos que haja vários), este deverá fazer a gravação de cada voz em cassete como se se tratasse de uma só voz. Cada naipe, com o seu gravador e cassete, vai para uma sala e vão tentando decorar a obra. Passados poucos minutos esta está pronta a ser executada em conjunto.


CANTEM MAIS COM A ALMA DO QUE COM A GARGANTA. Sintam o que cantam; dêem sentido ao texto; não se limitem a serem máquinas de escrever ou grafonolas .

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