quinta-feira, 1 de novembro de 2012

PADRES, CANTAI!!!!


Em 1990, no fim do III Encontro Mundial dos Directores de Coros Liturgicos em Roma, foi publicado um pequeno relato do que tinha acontecido, que dizia:
"O lamento mais frequente que se ouviu durante o Congresso, a crítica mais amarga que se teceu foi contra os padres: os padres já não cantam na liturgia. A liturgia antiga era cantada por todos, padres e povo: o sacerdote cantava as belas Missas cantadas, sustentava e animava o canto dos fiéis; hoje, na Liturgia renovada, o padre fala muito mas não canta quase nada. Os Padres já não cantam! É uma constatação geral e alarmante. as razões estão talvez nos Seminários, onde a música e o canto são tratados como coisa de menor importância ou são totalmente postos de parte. Verifica-se que uma assembleia litúrgica nunca poderá entoar uma resposta cantada, nunca poderá cantar uma aclamação se não for provocada pelo presidente pelo seu canto. Notam-se incongruências absurdas, como quando o padre convida: "Agora leiamos o canto de entrada", ou quando convida a cantar com os Anjos e os Arcanjos, com Tronos e as Dominações e com a multidão dos coros celestes numa só voz, e depois ataca um miserável Santo  só balbuciado. Deste Congresso dirige-se a todos os sacerdotes do mundo este pedido: Padres, cantai!"
No número 115 da Sacrossanctum Concilium, relativamente à música, é dito:
"Dê-se grande importância nos Seminários, Noviciados e casas de estudos religiosos de ambos os sexos, bem como noutros institutos e escolas católicas, à formação e prática musical"
No número 52 do documento "Musicam Sacram" é dito:
"Para conservar o tesouro da Música sacra e promover devidamente novas criações, 'dê-se grande importância nos Seminários, Noviciados e casas de estudo de religiosos de ambos os sexos, bem como noutros institutos e escolas católicas, à formação e prática musical', mas sobretudo, nos institutos superiores especialmente destinados a isto. Deve promover-se antes de mais o estudo e a prática do canto gregoriano, já que, pelas suas qualidades próprias, continua a ser uma base de grande valor para o cultivo da Música Sagrada"
Braga foi a  Diocese que mais promoveu a Música Sacra no séc XX, através do Seminário Conciliar (ainda hoje, exemplo de escola de música sacra para futuros padres: solfejo, canto gregoriano e polifonia) e de  grandes compositores tais como, P. Manuel Alaio (fundador da escola de música de Braga e fundador do orfeão do Seminário Conciliar de Braga), P. Benjamim Salgado, P. Manuel Faria Borda, P. Alberto Brás (Autor do Hino do Seminário Conciliar de Braga), P. M. Simões, P. José Fernandes da Silva, P. Joaquim dos Santos, P. Manuel Faria (grande homem da música. O maior compositor  de música Sacra do Séc XX. Fundador da NRMS), P. Henrique Faria e António Azevedo de Oliveira, entre outros, talvez não tanto conhecidos.
Vale a pena pensar nisto.................

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Saudações cordiais,
A Equipa de Liturgia

5 comentários:

Luis Américo fernandes disse...

Quando falam de padres músicos e compositores de Braga porque não referem os nomes de Joaquim Mendes de Carvalho, Sousa Marques, David Oliveira e Joaquim Santos que tiveram a coragem de propor alternativas e assumir alguma dissidência crítica através da revista Música Nova, em vez de os deixarem num vago e menos honroso "entre outros"? Ou só os "filhos de boa mãe" merecem destaque? Nem sequer referem, o que também seria justo, os nomes de Miguel Carneiro e de Fernandes da Silva. Perguntem aos coros quem é que eles gostam de cantar e com quem sentem mais empatia e talvez encontrem razões para avaliações mais justas. E se Manuel Faria foi de facto um mestre que criou escola, houve de facto discípulos que souberam seguir-lhe a peugada. Luis Américo Fernandes, diretor Coro de Vila das Aves

Luis Américo fernandes disse...

Desculpe-me o autor se precipitadamente não reparei nos nomes de Fernandes da Silva e J Santos, ainda bem que os refere, mas não gostei daquela menção"entre outros menos conhecidos, por isso,mantenho o sentido do comentário. L.A.Fernandes

Luis Américo fernandes disse...

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A. Costa Gomes disse...

Caro Luis Américo, estou de acordo com o que diz. Sou muito amigo de Sousa Marques, de David Oliveira e fui de Mendes de Carvalho a quem, aliás, substitui quando saiu da F. Sanches e se mudou para a Vila das Aves. Há esquecimentos e não desmerecimentos. David Oliveira de quem sou, também, especial amigo, não tem muito repertório litúrgico embora tenha algumas (litúrgicas) dignas de relevo. Dedicou-se mais a outros géneros de música. Estamos, porém, receptivos a novas ideias críticas.

A. Costa Gomes disse...

Caro Luis Américo, estou de acordo com o que diz. Sou muito amigo de Sousa Marques, de David Oliveira e fui de Mendes de Carvalho a quem, aliás, substitui quando saiu da F. Sanches e se mudou para a Vila das Aves. Há esquecimentos e não desmerecimentos. David Oliveira de quem sou, também, especial amigo, não tem muito repertório litúrgico embora tenha algumas (litúrgicas) dignas de relevo. Dedicou-se mais a outros géneros de música. Estamos, porém, receptivos a novas ideias críticas.