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quinta-feira, 22 de maio de 2014

REGISTAÇÃO DO ÓRGÃO LITÚRGICO


(Algumas achegas)

Estão a decorrer encontros de coros no Sameiro desde o segundo domingo de Maio até ao primeiro de Junho. Na altura foi dito que a maior importância destes encontros não estava no “possível” espectáculo que cada coral poderia dar, com maior ou menor qualidade. A vantagem destes encontros é a troca de experiências: ouvir para fazer melhor, aperfeiçoar ou, - pode acontecer- evitar seguir tal exemplo.
Também no que respeita à execução do órgão há sempre algo a aprender. A maior parte dos órgãoes das nossas igrejas são electrónicos e de fácil manipulação. Mas é necessário conhecer regras básicas para que tal aconteça.
Há uns anos atrás a NR de Música Sacra, colectânea de inultrapassável valor artístico e litúrgico da nossa Diocese (e País), inseriu um artigo muito completo do Mestre P.Jorge Barbosa sobre este assunto. Todavia, como nem todos têm a possibilidade de “apanhar” um determinado artigo na hora em que surge, é necessário insistir, “oportuna e inoportunamente” na repetição da sâ doutrina. Neste caso, a registação de um órgão, função imprescindível para uma boa simbiose entre organista e coro, deve ser do conhecimento de quem tem a responsabilidade de oferecer uma harmonia que apoia mas não encobre as vozes dos cantores. O órgão deve apoiar e não afugentar quem canta e quem ouve. Vejamos, então, os aspectos básicos na registação de um órgão.
Embora quase todos venham pré-registados de fábrica com sonoridades dentro do piano, meio forte e forte, há quem prefira escolher os registos. Ora não se pode deixar de ter em conta que, a base de qualquer acompanhamento, são os registos de 8 e de 4 pés, evitando as palhetas (de cor encarnada). Os números estão assinalados nos registos. Basta colocar, em cada teclado, estes dois registos para que o acompanhamento seja claro e suficiente. Para quem quer ir um pouco mais longe deverá recorrer aos registos de  2 pés e a uma mistura para enriquecimento tímbrico. Normalmente, o teclado de baixo (o primeiro) é mais forte que o segundo a fim de que se possa alternar entre o meio forte e forte (a assembleia e o coro) e o piano (solistas).
Como muitos organistas tocam por acordes na mão esquerda e a melodia na direita, dão origem a um problema insuportável e doloroso para ouvidos mais apurados. Na realidade ainda temos bsatantes pessoas com formação superior nas várias áreas do saber que devem ser acolhidas com o mínimo de respeito nas nossas igrejas. Vejamos, então, o seguinte problema: o organista toca o acorde de dó (dó mi sol) na mão esquerda com os registos de 8 e 4 pés. Ainda se ouve com alguma sobriedade e delicadeza sem irritar os ouvidos nem encobrir as vozes. Mas se continuar a fazer acordes idênticos mais para a esquerda imaginem o “pastel sonoro”  que nos chega aos ouvidos e a falta de clareza na audição das vozes já que são encobertas pelos “ruidos” sombrios dos graves. Imaginem um pouco mais: além de oito pés ainda activou 16 e 32 bem como toda a “iluminação” do órgão, desde o primeiro ao ultimo cântico.Já imaginaram como sofrem as pessoas que vão à Eucaristia asim? Que falta de gosto e de bom senso! Que falta de competência por parte de alguns pastores! Que vergonha senti no final, quando ouvi os comentários deprimentes dos fiéis conforme iam saindo! Só que não sabiam explicar a razão de tão má disposição. Aonde  foi? Não vale a pena dizer porque, infelizmente, acontece em muitas Eucaristias.
Os responsáveis dos coros têm pouca formação não só musical mas, sobretudo, litúrgica. Desconhecem (ou não querem conhecer) a riqueza musical produzida na nossa diocese e aprovada pelo competente autoridade, Recorrem, então, à internete onde se encontram sítios verdadeiramente pornográficos no que se refere à música pretensamente litúrgica. Como discípulo de Manuel Faria  só me apetecia gritar: volte cá, meu bom Amigo e ponha ordem na casa de Deus. O problema é que, nos dias que decorrem, nem a gritar nos conseguimos fazer ouvir,  tal como na política.

acostagomes@gmail.com

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

PADRES, CANTAI!!!!


Em 1990, no fim do III Encontro Mundial dos Directores de Coros Liturgicos em Roma, foi publicado um pequeno relato do que tinha acontecido, que dizia:
"O lamento mais frequente que se ouviu durante o Congresso, a crítica mais amarga que se teceu foi contra os padres: os padres já não cantam na liturgia. A liturgia antiga era cantada por todos, padres e povo: o sacerdote cantava as belas Missas cantadas, sustentava e animava o canto dos fiéis; hoje, na Liturgia renovada, o padre fala muito mas não canta quase nada. Os Padres já não cantam! É uma constatação geral e alarmante. as razões estão talvez nos Seminários, onde a música e o canto são tratados como coisa de menor importância ou são totalmente postos de parte. Verifica-se que uma assembleia litúrgica nunca poderá entoar uma resposta cantada, nunca poderá cantar uma aclamação se não for provocada pelo presidente pelo seu canto. Notam-se incongruências absurdas, como quando o padre convida: "Agora leiamos o canto de entrada", ou quando convida a cantar com os Anjos e os Arcanjos, com Tronos e as Dominações e com a multidão dos coros celestes numa só voz, e depois ataca um miserável Santo  só balbuciado. Deste Congresso dirige-se a todos os sacerdotes do mundo este pedido: Padres, cantai!"
No número 115 da Sacrossanctum Concilium, relativamente à música, é dito:
"Dê-se grande importância nos Seminários, Noviciados e casas de estudos religiosos de ambos os sexos, bem como noutros institutos e escolas católicas, à formação e prática musical"
No número 52 do documento "Musicam Sacram" é dito:
"Para conservar o tesouro da Música sacra e promover devidamente novas criações, 'dê-se grande importância nos Seminários, Noviciados e casas de estudo de religiosos de ambos os sexos, bem como noutros institutos e escolas católicas, à formação e prática musical', mas sobretudo, nos institutos superiores especialmente destinados a isto. Deve promover-se antes de mais o estudo e a prática do canto gregoriano, já que, pelas suas qualidades próprias, continua a ser uma base de grande valor para o cultivo da Música Sagrada"
Braga foi a  Diocese que mais promoveu a Música Sacra no séc XX, através do Seminário Conciliar (ainda hoje, exemplo de escola de música sacra para futuros padres: solfejo, canto gregoriano e polifonia) e de  grandes compositores tais como, P. Manuel Alaio (fundador da escola de música de Braga e fundador do orfeão do Seminário Conciliar de Braga), P. Benjamim Salgado, P. Manuel Faria Borda, P. Alberto Brás (Autor do Hino do Seminário Conciliar de Braga), P. M. Simões, P. José Fernandes da Silva, P. Joaquim dos Santos, P. Manuel Faria (grande homem da música. O maior compositor  de música Sacra do Séc XX. Fundador da NRMS), P. Henrique Faria e António Azevedo de Oliveira, entre outros, talvez não tanto conhecidos.
Vale a pena pensar nisto.................

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Saudações cordiais,
A Equipa de Liturgia

sexta-feira, 8 de junho de 2012

O estado da Música Sacra


Ex.mo e Rev.mo Senhor
D. Jorge Ortiga
Dig.mo Arcebispo Primaz de Braga

As minhas cordiais saudações.
Estou a escrever-te, através do meio mais fácil e rápido do nosso tempo, sobre o que se passa na nossa Diocese, de exemplares tradições, no campo da música sacra.
Quase todos os domingos, quando ligo o rádio (RR), fico perturbado com o que ouço.
  • Ontem, dia do Corpo de Deus e no domingo passado senti-me envergonhado, mais uma vez. Em Celeirós, na Eucaristia transmitida pela RR, ouvi a mesma solista em todos os cânticos, acompanhada por instrumentos pouco ou nada ortodoxos,  a quem foi entregue o “papel” de representar o coral da paróquia. Pensei: o Apolinário deixou-se dominar pela “onda” e esqueceu o que aprendeu no Seminário e o que dizem os documentos conciliares. Para que a “festa” tivesse mais solenidade pegaram numa melodia “rock” Americana e introduziram-lhe a aclamação ao Evangelho. Aleluia… para Nosso Senhor qualquer coisinha serve!!!
  • Domingo, como cântico de entrada na Missa do Seminário de Santiago foi a tão conhecida melodia “amigos tão  bons vale a pena juntar” com um piedoso texto a enfeitá-la.
  • Estas situações são recorrentes em muitos cantos da diocese começando- ó céus!- por Dume onde trabalho há mais de 40 anos com o grupo coral mas  não sou tido em conta pelo meu conterrâneo, P. Armindo. O coral dos jovens- que praga isto de Missa dos jovens, Missa das crianças, etc. quando a Missa é só uma!- dizia que o grupo dos jovens fazem as maiores tropelias não só em termos de cânticos mas, também, nos textos pseudo-litúrgicos.
  • Para a Livraria (oficial) da Diocese- Livraria do Diário do Minho- tem tanto valor uma obra de autores consagrados como “A Igreja Canta” como a de um bom homem, mas amador, P. Salvador Cabral (que Deus tenha). Basta passar por lá e fazer uma análise das obras à venda. Pretendem que sejam os organistas e directores artísticos a fazer a escolha? Disparate! Quantos são os que têm formação para discernir entre o que é aceitável ou reprovável?!
  • Dos dezoito coros que consegui reunir no Sameiro, a seguir à Páscoa, nenhum teve uma palavra de apreço para com a ilustre figura do Sr. Presidente da Comissão de Música Sacra, agora inactiva e enexistente por falta de diálogo e inusitada agressividade. Para que serve?

Pergunto: o que queres dizer quando falas em Eucaristias mais atractivas? Li que te referias à “avaliação das celebrações”, à “formação dos adultos, dos leitores e acólitos”, à “instrução dos grupos corais”. E quem está a proceder a estas formações? Alguns “forasteiros” não investidos hierarquicamente, como é o caso do nosso querido colega e amigo, Azevedo Oliveira, a maior figura, de momento, da Música Bracarense, cujo papel, ao longo dos anos, não tem sido senão o de “escorraçar e espantar” os seminaristas, futuros colegas e responsáveis por uma porção do rebanho que queremos unido e em sintonia com a sâ doutrina, neste caso, da Música Sacra como consta do documento Música Sacra por ti compilado, creio  que em 2001, e extraido dos documentos conciliares pelos quais tanto se bateu o Mestre Manuel Faria e outros  grandes nomes que nos precederam. A este, Azevedo Oliveira, é que competia levar a efeito a formação na arte de “bem cantar” e no espírito que deve enformar todo o acto litúrgico. Alguém o vê? Claro que há párocos sensatos e prudentes que  dialogam com os intervenientes na Liturgia, esclarecendo-os e mostrando-lhes o empenho que devem colocar no que dizem e no que fazem. Não esqueças, porém, que a maior parte, sobretudo os que se ordenaram nos últimos 20 anos, que nem receberam formação musical adequada nem tiveram uma  “praxis”  suficiente que os capacite para saborear e distinguir o bom do trivial.

A Igreja- não só a Bracarense- entrou pelos caminhos da pedagogia do ensino público onde impera o “facilitismo” e o “deixa correr”. Isto desde a Catequese até aos funerais. Os Catequistas “pegam” nas crianças e fazem delas marionetes durante a liturgia “empurrando” os pais para segundo plano quando deveriam ser eles a sussurrar-lhes ao ouvido: “meu Deus, eu creio…”, “Avé Maria”…. Fazem deles “ovelhinhas obedientes” que executam  e lêem aquilo que lhes mandam. E isto acontece até ao Crisma. Se os sacerdotes aproveitassem, pelo menos, as multidões que se juntam nos funerais, ainda com resquícios de alguma fé, para proclamar, alto e bom som , as verdades em que acreditamos de modo a que, “oportuna e inoportunamente” os seus ouvidos se “incomodem” por escutar o que não gostariam de ouvir e, muito menos, de pensar, talvez as nossas igrejas estivessem mais cheias.
Sei que é um disparate estar a dizer isto a quem o estou a dizer. É “ensinar” o Padre Nosso ao “vigário”. Mas acredita, D. Jorge, que me sinto profundamente magoado com a inoperância do responsável pela Música Litúrgica, com a maneira como, durante mais de 25 anos, tem sido agressivo, impaciente, anti-pedagogo para com os seminaristas e o estigma que lhes incute. Há outros padres novos que deveriam ocupar o lugar dele como o P. Nuno Rocha, o P. Marcelino ou o P. Juvenal. Fariam, de certeza, melhor trabalho.
Não posso deixar de referir os disparates que têm ocorrido no que se refere aos instrumentos e instrumentistas. Fazem-se restauros e adquirem-se instrumentos litúrgicos caríssimos e, depois, não temos quem os toque. Caso da Sé, de S. Bento e do Sameito, entre outros. Gasta-se dinheiro em obras de fachada cuja manutenção fica caríssima, mas não há nada para dar a alguém competente para tocar os instrumentos e orientar os coros das principais igrejas de Diocese aonde acorrem multidões de fiéis.
Amigo D. Jorge, desculpa este desabafo mas não podia deixar de o fazer. Também não iria com ele para a comunicação social pois detesto discussões na praça pública. Admiro o que se está a fazer no arciprestado de Melgaço. Antes de cada tempo forte do ano litúrgico, um conjunto de músicos e sacerdotes juntam-se para escolher um leque de cânticos adequado a esse tempo. Marcam um fim de semana e trabalham esse conjunto de cânticos de modo a que sejam executados com o possível rigor mas, sobretudo, com a alma e, assim, não andem ao sabor de grupinhos mais ou menos ignorantes e laxistas. Não será uma boa ideia caminharmos neste sentido?
Um abraço e que a Igreja seja mais santa.

Costa Gomes

sábado, 5 de maio de 2012

ÚLTIMO DIA DE ENCONTROS NO SAMEIRO - DIA DA MÃE


ENCONTRO DE COROS NO SAMEIRO
DIA  06/ 05 /2012.
GRUPO CORAL de Azurém-Guimarães
Regina Coeli                      - D. Pedro de Cristo
Sangue de Cristo                     -Manuel Faria
Glória a Deus                           -G. F. Haendel
Director artístico:     Prof. Hermano Filipe Carneiro

 
GRUPO CORAL Laudate Dominum- Vizela
Ave Maria                                 _ D. Matteo Tosi
Sanctus                            _  J.P Lecot
Mil cânticos                           _P. Alexandre Santos
Órgão:    Paulo Oliveira
Director artístico: Pedro Marques

GRUPO CORAL de S. João de Airão
Regina coeli                         -M. Faria
O Santíssima                        -Harm. M. Faria
Aleluia                                    -M. Simões
Director artístico: António Fernando Cartas

GRUPO CORAL  de Areias de Vilar
Ave Maria                        _ Jacob Arcadelt
Ave Verum                        _ W.A. Mozart
Cantate Dominum            _H.G. Barrionuevo
Director artístico: Deolinda Martinho

REFLEXÃO
Eis-nos chegados ao fim desta série de encontros de coros vindos de Braga, Barcelos, Famalicão, Guimarães e Fafe. Foram vinte grupos. Houve algum esforço da parte de todos os participantes mas nada de impossível. Creio que todos ficaram satisfeitos não só porque estiveram na Casa da Senhora do Sameiro mas também porque, aí, tiveram a oportunidade de fazer ouvir a sua voz, o melhor instrumento com que a Natureza nos dotou.
Em cada encontro tive a preocupação de provocar a reflexão sobre aspectos importantes do canto na Liturgia partindo, como não podia deixar de ser, dos documentos oficiais  da Igreja, nomedamente o resumo de D. Jorge Ortiga, A Música Sacra, datado de 2001.
Aqui vai a última.

CELEBRAÇÕES COM JOVENS
Há uma tendência generalizada de, nas chamadas “eucaristias para jovens”, se executarem cânticos (ou canções) muito próprias da sua jovialidade mas com pouco sentido litúrgico. Acontece, ainda, que não sendo toda a assembleia constituida por jovens, estes como que “impõem” um determinado estilo que nada diz aos mais velhos.
É necessário caminhar para o meio termo e recordar os princípios básicos: competência musical e competência litúrgica. Ao pastor ou alguém da sua confiança compete supervisionar, elucidar, formar e informar. Tem tanta obrigação de o fazer como um professor tem obrigação de cumprir o programa da sua área disciplinar.
É um hábito muito mau – e isto acontece quando os cânticos são para as crianças – fazer adaptações de textos para melodias de outras proveniências, muitas vezes completamente profanas ou lúdicas. Por onde se dividirá o pensamento das crianças: pelo texto, supostamente de cariz religioso ou pela melodia de carácter lúdico e profano?
A encíclica “Musicae Sacrae Disciplina” de Pio XII refere a importância da música na Liturgia como uma modo sublime de louvor a Deus. Esta ideia já vem do Antigo Testamento:
*“Todo o Israel dançava diante de Deus com instrumentos de madeira trabalhada: cítaras, liras, tímpanos, sistros e címbalos”;
* David fixou as regras da música no culto sagrado;
* As primitivas comunidades, mesmo antes de surgir o dia, cantavam um hino a Cristo;
* Tertuliano diz que, nas assembleias dos cristãos “se lêem as  Escrituras, cantam salmos e promove-se a catequese”;
* Após a liberdade concedida à Igreja por Constantino, surgiram novos hinos, novos cânticos consoante a cultura dos povos que se convertiam ao cristianismo;
* Após o séc. IX/X, com o surgimento de novos hinos e novas formas de cantar, a música litúrgica haveria de atingr o seu esplendor nos séc. XV/XVI com o apogeu da polifonia e dos conjuntos vocais acompanhados com o  órgão de tubos;
* Como em todos os tempos, os abusos foram surgindo e houve necessidade da intervenção da autoridade eclesiástica no sentido de expurgar da música sacra tudo o que não contribuia para a sua verdadeira finalidade.
* A liberdade do artista (compositor ou director) deve sujeitar-se à finalidade última da sua criação: o culto divino. Assim, qualquer arte religiosa, exige artistas inspirados pela fé e pelo amor. A finalidade principal é a de elevar piedosamente a sua mente para Deus.
*Trazer decoro e ornamento às vozes do sacerdote e do povo cristão que louva o Deus Altíssimo;
*Elevar os corações dos fiéis a Deus tornando vivas e fervorosas as orações litúrgicas e, assim, louvá-lo e invocá-lo com mais intimidade e eficácia;
* Devem, por isso, os cânticos terem origem em fiéis com provas dadas de competência teológico/pastoral , competência musical, aprovação do ordinário e serem executados com voz límpida e adequada expressão.

E, por último, o pensamento de Santo Agostinho: “as nossas almas  elevam-se na piedade e na devoção de uma forma mais perfeita quando as santas palavras são cantadas e os nossos sentimentos encontram no canto uma relação íntima que nos aproxima mais de Deus”.

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NOTA: O nosso trabalho nunca está acabado. Não vamos fazer o “impossível” mas o melhor possível. E temos Mestres que nos precederam e nos mostraram o caminho. Este está aberto a críticas construtivas e a novas ideias. Não deixem de contar aos outros “o que viram e ouviram”. Poderemos ser muitos mais. Assim Deus nos ajude.
acostagomes@gmail.com

ÚLTIMO DIA DE ENCONTRO DE COROS

Estamos no quarto domingo, dos que nos foram concedidos, para organizar estes encontros de coros litúrgicos na Basílica do Sameiro. Creio que todos os coros se apresentaram com dignidade e cumpriram as normas que a Igreja aconselha para bem cantar e rezar nos ofícios divinos.
Não podemos deixar de agradecer a boa vontade e o esforço de cada grupo coral e seus dirigentes. Não podemos, também, deixar de agradecer aos responsáveis pelo Santuário a amabilidade com que nos receberam e os meios que colocaram ao nosso alcance.
Foi opinião geral que as condições acústicas da Basílica não são as ideais sendo, em alguns casos, problemáticas sobretudo no que respeita à posição do novo órgão. O facto de as colunas do órgão estarem por cima do organista e do coro não permite ter a noção do volume com que se está a tocar. Seria preferível colocar o órgão no lugar onde está o velho.
Não posso deixar de repetir que este órgão é muito "sofisticado" (complicado) para quem o tange pela primeira vez. A falta de luzes indicadoras dos registos é uma falha grave na sua construção. Outra falha grave é a falta de luz naquele cantinho que impede, ainda mais, a visão da registação. Só mais uma falha: deveria ter um banco de memórias com chave com acesso, somente, a quem fosse perito na registação.
Mas, pronto: foi o que a Confraria achou por bem adquirir e como, nos tempos que correm todos têm abalizadas opiniões não vale a pena falar. Politiquices.
Vamos voltar para o ano?

sábado, 28 de abril de 2012

ENCONTRO DE COROS NO SAMEIRO-DIA 29/Abril/2012. 1º



ENCONTRO DE COROS NO SAMEIRO-DIA 29/Abril/2012.
GRUPO CORAL de LOUSADO
Ave, o Clemens                     -Marco Daniel/Luis Magalhães
Bendita e louvada seja               _M. Simões
Toda a glória está na cruz
Aleluia                                    -Telemann
Director artístico: Luis Magalhães

CORAL S. TIAGO D´ANTAS
Foi removida a pedra             - A. Cartageno
Acreditamos                         - A. Cartageno   
Cristo, nosso Cordeiro Pascal - Miguel Carneiro
Avé Maria                         - M. Faria
Director artístico: Pedro Portela

CORAIS de S. Martinho do Vale e S. Tiago da Cruz
Nasceu o sol da Páscoa                 -Sousa Marques                
Foi removida a pedra                -A. Cartageno             
Reina o Senhor                               - Sousa Marques        
Director artístico: Sameiro Ribeiro
GRUPO CORAL  de S. MIGUEL DE SEIDE E CAMPELOS
Regina coeli                         -Manuel Faria
Ecce Panis                            _ Benjamim Salgado
Avé Maria                        _ M. Faria
Ao Sameiro                        - M. Faria
Director artístico: _ Joaquina Faria

PARA REFLECTIR
OS INSTRUMENTOS MAIS ADEQUADOS

O Instrumento musical mais importante é a voz humana. Há que cuidar dela e potenciar as suas capacidades. É um dom maravilhoso. Não cantes ao Senhor do mesmo modo que cantas numa “desgarrada” folclórica. Não é que seja “pecado”, mas é imperfeição. Todavia, desde os tempos mais remotos o homem, com o seu espírito criativo, procurou outras formas de fazer ritmo e melodia. E os instrumentos foram surgindo.
O órgão de tubos, também chamado “rei dos instrumentos” é, desde há muitos séculos, o instrumento eleito para tocar nos templos sagrados ora a solo ora como “sustento” das vozes.
Como se trata de um instrumento caro e de difícil manutenção recorreu-se, durante quase 150 anos, ao harmónio de pedais, mais acessível e mais pequeno. Surgiu no início do séc. XIX e, em muitas igrejas e capelas, ainda se encontram. Tem timbres muito variados e, em muitos casos, com muita qualidade. São melhores que muitos órgãos modernos nada adequados para o serviço litúrgico. A partir da segunda metade do séc.XX começaram a surgir os órgãos eléctricos e, mais tarde, electrónicos atingindo uma qualidade muito idêntica aos órgãos de tubos.
Quer o órgão de tubos, quer o harmónio ou o órgão electrónico exigem conhecimentos razoáveis, no que se refere à registação, sendo fundamentais os registos de 8, 4 e 2 pés. Há certos registos que nunca se devem utilizar nas igrejas, tais como: o trémulo ou o “reverb”. Dão a sensação de que estamos num “cabaret”.
Em resumo: para se dominar um órgão é preciso estudá-lo, fazer registações prévias se possível, evitar os registos estridentes e ter bom gosto.
E os restantes instrumentos  são indignos de entrar na Igreja e nas celebrações Litúrgicas?
A Igreja não exclui, peremptoriamente, nenhum instrumento. Faz, no entanto, uma recomendação muito séria que é para todos os instrumentos, a saber: que não sejam demasiado ruidosos, que sejam tocados com arte e que contribuam para a edificação dos fiéis.
Será fácil tocar uma viola com arte? Acham que “rasgar” uns acordes já é saber tocar? E se, em vez de a “rasgar” a dedilhassem?! É mais difícil não é? Reparem no modo como tocam os que frequentam escolas a sério….  É o bom gosto, o conhecimento musical e a dignidade do acto Litúrgico que deve prevalecer pois estamos na presença do Deus de Quem viemos, em Quem vivemos e para Quem caminhamos.
Poderíamos, perante o exposto, fazer uma reflexão:
* Em muitas das celebrações que preparamos será o  bom gosto na escolha dos cânticos e no modo como são executados que predomina?
* O que se ouve cantar e tocar na Igreja estimula-nos e aproxima-nos de Jesus Cristo?
* Ou apenas temos em vista a nossa “vaidadezinha” e estamos à espera que digam: foi bonito….
* Se somos nós, povo Cristão, as “pedras vivas” do Templo de Deus porque é que se investe mais nas paredes e no adro da Igreja do que nas “pedras vivas” que a animam?
* Que género de comunidade Cristã é que eu escolheria como aquela que me aproxima mais de Jesus Cristo?
*Será esta proposta de reflexão uma “pieguice” sem qualquer interesse para o  acto litúrgico em que participo?
* Estamos empenhados em ter um bom órgão. E não é importante um bom organista ou um bom director do coro?
*Temos comunidades divididas em pequeninas “capelas” corais, cada uma com o seu intocável orgãozinho e outros adereços, onde os grupos primam pela mútua maledicência e inveja.
Ser Igreja de Jesus não é isto.
Vamos, então, sob a orientação do Pastor, primeiro responsável pelo modo como se canta e reza na sua comunidade, mesmo que não saiba música nenhuma, tentar conhecer e perceber as normas da Música na Liturgia a fim de que, pouco a pouco, sejamos capazes de elevar a Deus um “louvor perfeito”. Foi Ele que pediu: “sede perfeitos como o meu Pai é perfeito”.



ENCONTRO DE COROS NO SAMEIRO-2º Dia-22/ 04/201

O LUGAR DA MÚSICA NA LITURGIA

Todos sabem que, já nas sinagogas judaicas, se cantavam  hinos e salmos. Muitos dos salmos incitam os fiéis a aclamar, a louvar e a exaltar o Senhor pela grandeza das suas obras e pela misericórdia para com o seu povo. Jesus, como bom Judeu, também o fez. E os instrumentos deveriam acompanhar o canto dos salmos.
O canto na Liturgia sempre constituiu uma das mais belas formas de exprimir a alegria em Cristo ressuscitado. A “arte de bem celebrar” o acto Litúrgico foi e deve ser sempre a grande preocupação não só dos Pastores mas de todos os seus colaboradores.
O canto gregoriano sempre foi considerado como canto oficial da Igreja sem excluir outras formas de canto na liturgia.
O Concílio Vaticano II veio confirmar a posição eclesial de Trento sugerindo aos compositores novas obras, adequadas aos novos tempos, mas sempre apelando à nobreza artística e à finalidade a que se destinam.
Em todos os tempos surgiram boas e más composições, segundo os critérios de apreciação de cada época. No tempo de S. Gregório Magno fez-se uma selecção das inúmeras melodias gregorianas, muitas delas sem arte nem piedade, desde os textos às melodias.
 O mesmo haveria de acontecer, muitos séculos depois, no Concílio de Trento. O Concílio Vaticano II veio, através da Instrução “Musicam Sacrae Disciplina”, chamar a atenção para os mesmos problemas: a qualidade dos textos e a arte da música que deve estar ao serviço daquele com a única finalidade de os elevar espiritualmente e de nos aproximar do Divino. Pediu a rejeição de tudo o que levasse à mistura de contextos, ambientes e expressões sem sentido que desvirtuem a autenticidade da celebração, nomeadamente géneros de músicas que denotam ambientes de divertimento ou tragam à mente situações que nada tenham a ver com o acto Litúrgico.
As soluções musicais fáceis estão em contradição com as exigências do Evangelho de Jesus Cristo. Não passam de propostas ou tentações da sociedade de consumo em que estamos mergulhados.
A Igreja reconhece que os caminhos de Deus não se anunciam ou promovem com facilitismos que despertem simplesmente, emoções passageiras ao sabor das modas, quase sempre superficiais e sem qualidade artística. Não é fácil; mas é possível, tal como o grande desejo de Jesus: “sede perfeitos como o Pai do céu é perfeito”.
Creio que andamos todos à procura desta perfeição.

Hoje vamos ouvir cantar os corais de

GRUPO CORAL  Infantil da Lama- Barcelos
 Panis Angelicus            _ César Franck
Hoje é Páscoa                        _ Miguel Carneiro
A Virgem Nossa Senhora_ Miguel Carneiro
Director artístico:  Deolinda Martinho
GRUPO CORAL  Infantil de Vinhos e Coro Angelus de Fafe
Totus tuus  _ A. Cartageno
 Fui eu que vos escolhi Fui eu que vos escolhi
Ficai comigo, Senhor   F. Santos
Director artístico:  Clara Sampaio
GRUPO CORAL de  FORNELOS/ MEDELO
Ditosa Virgem                        -Augusto Frade
Glória ao Pai                -Carlos Silva
 Senhor eu Te adoro  _  Mário Branco/Mário Silva
Director artístico: _Pedro Gilberto Rodrigues Fernande
GRUPO CORAL  de Antime- Fafe
Ave Maria de la Sainte Chapelle   Harm. - J. Santos
Eu sei em quem pus a minha confiança  A. Cartageno
Somos testemunhas do mundo novo    J. Santos
Director artístico: Aníbal Monteiro Marinho